
Amadureço
na palavra
que amadurece.
Entre fibras, sangue, desejo,
que intumesce.
No amor
onde cresço, me acresço,
eis a messe.
Nivelar
é navalhar a liberdade.
E viver é longa estrada,
é recôndita vontade
dita e não dita:
vocábulo,
coágulo.
Amadurecer.
Lúcido,
lúdico.
Na maravilha.
Na armadilha.
Amadurecer no âmago.
O âmago amargo.
O amargo âmago, amado.
Amadurecer o âmago armado
do tempo esplêndido da alegria.
Mas também do tempo da amargura
que estraçalha
e desconfia.
Amadurecer.
A áspera saliência e rubra.
A macia maçã
do recôndito impulso.
Lindolf Bell
(do livro “O Código das Águas”)


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