sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

IMORTALIDADE


Como morrerás,
se o brilho dos teus olhos está gravado em minhas retinas?
Como morrerás,
se o som do teu riso e do teu pranto estão gravados em meus ouvidos?
Como morrerás,
se o toque das tuas mãos está tatuado na minha pele?
Como morrerás,
se as palavras da tua boca fizeram ninho no meu coração?
Como morrerás, se o teu coração pulsa na memória dos meus sentidos?
Como morrerás, se estás, para sempre, vivo em minhas lembranças?
Como morrerás, se a minha alma e a tua alma dançam na imortalidade do que é infinito?


(Lígia Spengler, 31/03/2006)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Por quê?


Senhor, por que puseste uma alma livre
Num corpo frágil como o meu assim?
Senhor, por que me deste o livre-arbítrio
Se eu não sei tomar conta de mim?
Por que, Senhor, o barco do Além,
Demora tanto, sem zarpar jamais?
Será pecado apressar minha ida,
Mesmo que seja em busca de vida,
Mesmo que seja em busca de paz?
Se eu chegar ao céu sem me chamares
E algum anjo louro estranhar,
Diga-lhe, Senhor, por piedade:
- É minha filha. Estava com saudade,
Não esperou convite pra voltar.


(Myrtes Mathias)